27 de Agosto - Dia do Psicólogo




Psicologia no Brasil: a travessia para os 50 anos

A história da Psicologia começa com a criação do Laboratório de Wundt, no final do século XIX, reconhecida como o marco inicial da concepção da Psicologia como ciência e traz, desde seu nascimento, preocupações relativas à aplicação do conhecimento psicológico.

Nas primeiras décadas do século XX, início da sociedade industrializada, o Brasil é marcado pelos movimentos em prol da expansão do sistema educacional e, Minas Gerais, tem um papel relevante na construção da profissão da Psicologia, por meio dos ideais educacionais que expressam a necessidade de construção de uma nova sociedade, em que atuem os sentimentos de liberdade e democracia.

Nos anos 50, o grande acontecimento era a luta pela instituição da Psicologia como profissão e da criação e instalação dos cursos de formação de psicólogos, resultando em 27 de agosto de 1962, na publicação da lei nº 4119/62, que regulamenta o exercício da profissão, e no Parecer 403/62 que fixa o currículo mínimo e a duração do curso de Psicologia.

Em 20 de dezembro de 1971, sob a Lei 5.766, ficam criados o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Psicologia, dotados de personalidade jurídica de direito público, autonomia administrativa e financeira, constituindo em seu conjunto, uma autarquia, destinada a orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de psicólogo e zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe.

Psicologia: uma profissão de diferentes fazeres e múltiplos atores

Em 2000, na I Mostra Nacional de Práticas em Psicologia, nomeada Psicologia e Compromisso Social, o trabalho do psicólogo se tornou objeto de exposição, de debate e de troca, permitindo que a Psicologia fosse exposta, conhecida e discutida pela categoria e pela sociedade, dando visibilidade às novas práticas comprometidas com a realidade social e com o controle social.

Em tempos de modernidade os psicólogos são desafiados por novos olhares, diversos questionamentos e, sobretudo, pelo propósito de interação em uma sociedade dinâmica, cambiante e transformadora. Hoje, a Psicologia é um fazer solicitado pelos diversos segmentos do tecido social, tendo seu discurso entrelaçado no cotidiano de qualquer cidadão e cidadã. Os profissionais constroem e estão presentes no dia-a-dia da escola, da universidade, do posto de saúde, do hospital, do trânsito, da mídia, da arte e nas diversas esferas de participação.

A Psicologia não é mais exclusividade do saber acadêmico, restrito a poucos; é uma construção madura, experiente e consolidada, que colabora e se inscreve em uma dinâmica de novas produções constantes.

2011: comemoração da travessia para os 50 anos da Psicologia no Brasil

O que os psicólogos têm a comemorar? A resposta é abrangente, mas, se refere especialmente à inserção, participação e legitimidade dos profissionais da Psicologia. Trajetória construída a partir de um trabalho permanente, legitimado pelas conquistas do dia a dia, pelo esforço sustentado e pela convicção plena de que nosso fazer produz diferença. Há muito o que percorrer, mas, hoje, a Psicologia é imprescindível numa sociedade moderna, democrática e participativa.

Fonte: CRPMG

POESIA

"Ser psicólogo é uma imensa responsabilidade.
Não apenas isso, é também uma notável dádiva.
Desenvolvemos o dom de usar a palavra, o olhar,
as nossas expressões, e até mesmo o silêncio.
O dom de tirar lá de dentro o melhor que temos
para cuidar, fortalecer, compreender, aliviar.

Ser psicólogo é um ofício tremendamente sério.
Mas não apenas isso, é também um grande privilégio.
Pois não há maior que o de tocar no que há de mais
precioso e sagrado em um ser humano: seu segredo,
seu medo, suas alegrias, prazeres e inquietações.

Somos psicólogos e trememos diante da constatação
de que temos instrumentos capazes de
favorecer o bem ou o mal, a construção ou a destruição.
Mas ao lado disso desfrutamos de uma inefável bênção
que é poder dar a alguém o toque, a chave que pode abrir portas
para a realização de seus mais caros e íntimos sonhos.

Quero, como psicólogo aprender a ouvir sem julgar,
ver sem me escandalizar, e sempre acreditar no bem.
Mesmo na contra-esperança, esperar.
E quando falar, ter consciência do peso da minha palavra,
do conselho, da minha sinalização.
Que as lágrimas que diante de mim rolarem,
pensamentos, declarações e esperanças testemunhadas,
sejam segredos que me acompanhem até o fim.

E que eu possa ao final ser agradecido pelo privilégio de
ter vivido para ajudar as pessoas a serem mais felizes.
O privilégio de tantas vezes ter sido único na vida de alguém que
não tinha com quem contar para dividir sua solidão,
sua angústia, seus desejos.
Alguém que sonhava ser mais feliz, e pôde comigo descobrir
que isso só começa quando a gente consegue
realmente se conhecer e se aceitar."

Walmir Monteiro

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