Exposição na Funcarte apresenta história da capoeira no Brasil

"Origem da Capoeira – Essa luta é brasileira". Este é o título da exposição que conta a história da capoeira no Brasil – do século XV ao aos dias atuais. O evento está acontecendo desde o último dia 20 e se estenderá até o dia 5 de outubro, na Galeria Newton Navarro, da Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte). Apresentando quadros de artistas plásticos potiguares, maquetes de fazendas e do Quilombo dos Palmares, além de um tronco original, usado para castigar os escravos há mais de 150 anos, a exposição representa as origens, as histórias e as influências da capoeira em nosso país.
De acordo com Nivaldo Freire, conhecido como mestre Arrepio, organizador da exposição e coordenador do grupo de capoeira Cordão de Ouro, de Cidade Nova, um dos pontos principais da mostra é apresentar a capoeira como sendo de origem genuinamente brasileira.
"A capoeira, considerada uma luta/dança, surgiu através dos negros africanos que eram trazidos como escravos da África para trabalhar à força nas fazendas. Como forma de se defender contra os maus tratos sofridos, eles começaram a improvisar passos, através de um gingado que originou esta arte", disse.
O capoeirista lembra que a genuinidade brasileira foi confirmada em 2008 quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) considerou a capoeira como patrimônio cultural brasileiro. Por conta disso e do trabalho desenvolvido na exposição, mestre Arrepio foi convidado com seu grupo a participar, no período de 16 a 21 de março de 2012, da Semana de Artes de Barcelona/Espanha, que acontecerá na Universidade de Barcelona. "Será Natal representando o Brasil neste importante evento internacional", reforça Nivaldo Freire.
A exposição também apresenta momentos marcantes da história desta arte no país, como por exemplo, a norma que existia no Código Penal Brasileiro de 1890, instituído no governo do marechal Deodoro da Fonseca, que proibia a prática da capoeira no Brasil (passível de prisão por até três anos). Somente em 1937 esta norma foi abolida no governo de Getúlio Vargas, através do mestre Bimba, que mostrou ao então líder do executivo federal, a importância desta prática como referência para formação cultural e social brasileira.
Pinturas
Para compor a exposição, seis artistas plásticos produziram especialmente e de forma voluntária, cada um deles, cinco pinturas que retratam a história da capoeira desde o século XV. As obras são de autoria dos pintores Djalma Paixão, Guaraci Gabriel, Carlos Sérgio Borges, Francisco Eduardo, Roberto Medeiros e Fernando Galvão. "Estas obras serão cedidas ao acervo do Memorial da Capoeira, que está em construção na Cidade Nova, através de uma parceria com a Prefeitura do Natal, que doou o terreno para esta edificação e que terá o maior monumento de um berimbau do mundo, a ser homologado pelo Guinnes Book (o livro dos recordes)", informou o mestre Arrepio.
Nas maquetes de uma fazenda colonial é mostrado como era o trabalho escravo, onde situava-se a Casa Grande, a Senzala e a lavoura. "Trouxemos ainda da fazenda Oiticica, na região do Alto Oeste Potiguar, um tronco original, utilizado para castigar os escravos há pelo menos 160 a 180 anos", informou o coordenador do grupo Cordão de Ouro.
O evento conta ainda com a apresentação de vídeos educativos e de palestras, uma delas que será proferida por representantes do Iphan de Pernambuco, nesta sexta-feira,30, a partir das 15h, no auditório da Funcarte e que tratará da importância da capoeira como patrimônio cultural brasileiro.
A exposição tem entre seus objetivos, mostrar todo este trabalho para estudantes, numa forma de apresentar às novas gerações, a importância da capoeira para sociedade brasileira. "Já compareceram desde o início da exposição, até esta quarta-feira, 28, cerca de 500 estudantes", disse o capoeirista Nivaldo Freire.
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