Única rua com pavimentação histórica de Natal não recebe manutenção


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FOTO: Marcelo Lima
A Rua Pax, localizada na Cidade Alta, é um dos nossos poucos caminhos da história. Mas, infelizmente, como toda via de Natal está sujeita ao descaso do poder público. Nos quase cerca de cem metros de calçamento feito de arenito ferruginoso (nome técnico da rocha que virou calçamento), fica evidente a falta de cuidado. Tem buraco quando se entra e quando sai da pequena rua que ladeia o Solar Bela Vista.
Estima-se que o local foi calçado no final do século 19. No final de 2011, a rua Pax foi tombada como patrimônio histórico nacional pelo Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Mas até agora isso não significou nenhum tratamento diferenciado. Como uma rua qualquer da quatrocentona Natal, as pessoas que circulam ou trabalham por ali improvisaram uma solução para tapar um dos buracos.
Quem teve a ideia de colocar entulho para maquiar a via foi o flanelinha Givanilson André Máximo, que trabalha no local há sete anos. “Só não está mais esburacado por causa de mim. Eu coloquei metralha de uma obra ali. Ficou plano por um tempo, mas não adiantou de nada”, reconheceu.
Apesar de ter tentado intervir num patrimônio histórico que está protegido por lei, Givanilson sabe que o espaço é importante e precisa de atenção do poder público. “Nunca vi ninguém de Prefeitura aqui não”, disse.
O químico Alexandre Diniz, de 49 anos, acredita que os órgãos responsáveis devem agir para evitar que a rua seja ainda mais destruída. “Eu acho que a situação aqui está precária, os órgãos responsáveis pelo tombamento tem que fazer alguma coisa. Fechar o acesso eu acho que não deveria não, mas tem que preservar de alguma forma”, opinou ao passar pelo local.
De acordo com o arqueólogo do Iphan/RN, Iago Medeiros, a responsabilidade por um projeto de conservação é da Prefeitura de Natal. No entanto, qualquer projeto de intervenção em áreas tombadas nacionalmente necessitam de aprovação pelos técnicos do Iphan/RN. Mas até agora, segundo ele, o município não enviou nenhuma proposta para a análise.
A verdade é que a Secretaria de Mobilidade Urbana (STTU) possui um projeto de preservação que prevê a construção de uma espécie de piso de vidro sobre a rua de importância histórica. Além disso, a via se transformaria num espaço com programação cultural. Tal projeto foi incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas ano passado. Tentamos contato com a assessoria de imprensa da STTU, mas não obtivemos resposta até o fechamento desta edição.
Ainda segundo Medeiros, a pavimentação tem fortes chances de ser do final do século 19, uma vez que há registros históricos que mostram que antes desse período não havia ruas pavimentadas em Natal. “Um comerciante inglês, chamado Henry Coster, passou por Natal em 1812 e mencionou nos seus registros que a cidade não tinha nenhuma rua pavimentada”, disse, baseando em Câmara Cascudo. Além disso, o arqueólogo informou que o arenito ferruginoso tem ocorrência muito comum em todo o litoral brasileiro. Por esse motivo, foi comum o uso em calçamentos no passado. Esse tipo de rocha teve formação na natureza por volta de 1,8 milhões de anos atrás.
JORNAL DE HOJE
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