Entrevista: O brincar como instrumento terapêutico


Entrevista com a terapeuta ocupacional Lady Kelly Farias da Casa Durval Paiva

Através das brincadeiras é possível favorecer os aspectos sensoriais, intelectuais, sociais e emocionais da criança, além de estimular a criatividade e a autoconsciência, auxiliando inclusive no tratamento de doenças como o câncer. Para falar sobre o brincar como instrumento terapêutico está conosco Lady Kelly Farias, terapeuta ocupacional da Casa Durval Paiva.

P. Qual o significado do brincar para a criança/ seria apenas um passatempo?
R - A brincadeira é uma atividade que a criança começa a realizar desde o seu nascimento, e esse é um momento que não possui objetivo, a não ser pelo ato de brincar e pelo prazer que sente ao se expressar através das brincadeiras, de acordo com o contexto no qual está inserida, demonstrando sentimento, a criatividade e tudo isso de uma forma muito espontânea.

P. É possível perceber alguma anormalidade na criança através de seu comportamento nas brincadeiras?
R - É possível sim. Sendo as brincadeiras o que mais atrai a atenção da criança e a sua principal ocupação, é através delas que podemos perceber algumas limitações, que tanto podem ser motora, de interação social, e até desempenho escolar, e sendo estas as dificuldades, o terapeuta ocupacional observa alguns fatores relacionados, como: autoestima baixa, grande ansiedade, irritabilidade, frustração. Nestes casos, o terapeuta será um facilitador desse processo, de acordo com as necessidades da criança.
           
P. Quais mudanças podem ser observadas no comportamento da criança acometida de câncer?
R - As mudanças vão dos aspectos físicos aos emocionais e que são vivenciadas de forma única por cada uma delas, esta é uma fase de grandes transformações, um período que não deve se considerar apenas a patologia, mas a criança como um todo, de forma humanizada, dentro dos aspectos físicos, motor, social, psicológico e emocional, onde até mesmo o brincar pode ser prejudicado e o terapeuta ameniza essa fase dolorosa criando possibilidades.

P. Como a terapia ocupacional pode ajudar a criança doente através do brincar?
R - A Terapia Ocupacional tem como objetivo proporcionar a essas crianças uma melhor qualidade de vida, buscando sempre resgatar a autonomia e independência que possam ter perdido ou estar limitados devido ao câncer ou ao tratamento submetido. Esse é o momento quando o brincar se torna fator primordial para alcançarmos os objetivos propostos e o terapeuta também passa a ser um mediador nas atividades que façam sentido para as crianças.

P. O brincar terapêutico pode ser realizado por pais e familiares em casa, por exemplo?
R - O brincar deixa de ter um olhar simplesmente livre, ou ocupação do tempo ocioso, ou até mesmo recreação, que é a forma como os pais interagem com os filhos, quando passa a ser utilizado como recurso terapêutico, que tem objetivos definidos e leva em consideração o brincar como um importante instrumento para a construção da subjetividade da criança, oferecendo oportunidades para que desenvolva novas habilidades, proporcionando também um ambiente acolhedor, onde a criança possa expressar seus sentimentos, pensamentos e angústias decorrentes da doença.

P. Por ser uma especialidade ainda não muito conhecida onde e como se pode ter acesso a terapia ocupacional?
R - É possível o acesso ao profissional Terapeuta Ocupacional em hospitais, creches, clínicas de reabilitação, em faculdades que disponibilizem 'clínicas escolas' para atendimento ao público, como também, em casas de apoio, como é o caso da Casa Durval Paiva.

P. Quem quiser saber mais sobre esse serviço, quais são os contatos?
R - Quem deseja saber um pouco mais sobre o trabalho desenvolvido pelo Terapeuta Ocupacional, pode fazer uma visita à Casa de Apoio ou telefonar para a instituição através do telefone 4006-1600 que estarei à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas.

P.Considerações finais.
R - Observamos junto aos pacientes assistidos pela Casa Durval Paiva que a técnica do brincar como recurso terapêutico mostra ser uma importante ferramenta lúdica, educativa e terapêutica, capaz de facilitar a adesão ao tratamento, adaptação, uma melhor aceitação da atual fase, devolvendo a essas crianças uma melhor qualidade de vida, além de torná-las mais felizes e saudáveis.

A Casa Durval Paiva ampara crianças e adolescentes carentes portadores de câncer e doenças hematológicas crônicas, juntamente com seus responsáveis durante o tratamento em Natal. Hoje são 939 pacientes cadastrados, crianças e adolescentes oriundos de 133 municípios do RN, PB, CE, PI e AL.

CONTATO: (084) 4006-1600. Endereço: Rua Clementino Câmara, 234 Barro Vermelho – Natal

Fonte: Assessoria de Comunicação
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