O povo foi derrotado, diz Cunha após rejeição a distritão na Câmara

Imagem: FolhaPress/UOL


Parlamentares comemoram a rejeição do voto distrital durante votação da reforma política na Câmara

Após sofrer duas derrotas durante as votações sobre a reforma política na Câmara, o presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), declarou nesta quarta-feira (27) que "o povo foi derrotado" e que os parlamentares se dissociaram da sociedade.


"Ontem, quem foi derrotado foi todo mundo, foi o povo, porque todos os modelos foram derrotados", disse Cunha. "A Câmara não quer reforma política, não quer mudar o sistema eleitoral. Se não quer mudar, provavelmente não teremos nenhuma mudança substancial. Acho muito pouco provável que passe alguma coisa. Mudança, reforma, eu acho que esgotou, a Casa definiu que não quer. Ela se dissociou da sociedade quando pregou na campanha eleitoral que queria uma reforma política, depois teve uma oportunidade e não se manifestou por nenhum dos modelos."


Na sessão de ontem (26), o plenário da Câmara rejeitou incluir na Constituição a permissão de que as empresas financiem as campanhas políticas. O projeto de implantar o voto distritão foi barrado pelos deputados horas antes. As duas propostas eram capitaneadas por Cunha e com as derrotas esvazia-se o poder da reforma política defendida por ele e pelo PMDB. Os resultados das votações foram comemorados pelo PT.


"Não é uma derrota do PMDB. Para nós, quando vai discutir uma mudança no sistema eleitoral, cada um tem a sua opinião", declarou Cunha. "O PMDB não tem a maioria da Casa, tem 13% da Câmara, assim como o PT. Na prática, o que houve é que o deputado que aqui está elegeu o modelo que aqui está. Quando ele olha o modelo teme que qualquer mudança ele possa não se eleger. Então, ele tende a ficar com o modelo existente", disse.


Cunha também disse que a discussão sobre financiamento de campanha eleitoral ainda não foi encerrada. "Aquela não é uma decisão final. [Sobre] Financiamento [de campanha] nós teremos pelo menos mais três votações. Nós vamos votar o financiamento para pessoas físicas, se não atingir 308 [votos], votaremos o financiamento público, se não atingir 308, vamos votar o texto original que é financiamento somente para partidos e não para candidatos. Se nenhum dos três atingir quórum de 308 significa que a Casa resolveu deixar na mão do Supremo Tribunal Federal a decisão sobre financiamento da próxima campanha", afirmou Cunha.


São necessários 308 votos dos deputados para as propostas serem aprovadas na Câmara.

UOL
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