Só quatro capitais do Brasil têm água encanada em 100% das casas

Vaca caminha pela Represa Jacareí, no dia 29 de janeiro: normalmente ali teria água. Foto: Futura Press

Segundo relatório, toda a população de Belo Horizonte, Porto Alegre e Florianópolis têm acesso à água potável nas torneiras

Entre todas as capitais do Brasil, somente Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre e Florianópolis têm acesso universalizado à água, segundo Ranking do Saneamento Básico elaborado pelo Instituto Trata Brasil. O documento foi feito com base no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), de 2013.
O Trata Brasil também apurou a evolução do atendimento entre os anos 2009 e 2013. Entre as melhores colocadas do ranking, apenas Porto Alegre e Belo Horizonte mantiveram o índice de atendimento universal nestes quatro anos.
Florianópolis tinha 100% de atendimento em 2009, índice que caiu para 98,11% em 2010 e voltou para universalidade no ano seguinte – percentual que se manteve inalterado pelos anos posteriores. Curitiba atendia 99,35% em 2009, no ano seguinte atingiu 100% e o manteve até 2013.
Entre as quatro piores colocadas estão Porto Velho, que atende apenas 30,77% da população, Macapá (38,82)  e Rio Branco (48,97%).  No quesito evolução, a pior colocada do ranking é a capital de Rondônia, que em 2009 atendia 61,14% da população e em 2013, apenas 30,77%, queda de 50% no atendimento.
Para Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil, a falta de investimento e o crescimento das cidades dificultaram o acesso à água a população da região Norte.
“A região Norte está muito atrás em qualquer indicador de saneamento porque falta investimento, não houve preocupação dos governantes e as cidades cresceram muito com a imigração das áreas rurais para as cidades. As redes de água deveriam vir antes das casas, mas as pessoas vieram primeiro e com o crescimento das cidades fica mais difícil atender”.
De acordo com o levantamento, a média de atendimento de água nos 100 maiores municípios brasileiros foi de 91,42%, índice superior a média brasileira total (inclui todas as cidades) que é de 82,5%. “O acesso à água potável é o indicador que mais avançou historicamente no Brasil, desde os anos 1970. Isso possibilitou a criação de empresas estaduais de saneamento e ajudou a controlar diversas doenças”, diz Carlos.
No entanto, a preocupação, diz o presidente do Instituto Trata Brasil,, deve ser também com o tratamento de esgoto.  “A maioria das cidades tem bom serviço de atendimento de água e de coleta de esgoto, mas não tem tratamento. Ao longo dos anos, a preocupação foi levar água potável e afastar o esgoto das casas. Mas esse esgoto foi jogado nos rios e mares sem tratamento”.
Entre as capitais, o relatório aponta que apenas Belo Horizonte coleta todo o esgoto e que produz – o índice de tratamento dos dejetos da cidade mineira é de 67,4%.
Além de Belo Horizonte, apenas cinco das 27 capitais têm índices de coleta de esgoto acima de 80% - Curitiba (99,07%), São Paulo (96,13), Porto Alegre (89,4%), Rio de Janeiro (80,95%) e Brasília (82,73%).
As piores colocadas neste ranking são Porto Velho, que recolhe apenas 2,72% do esgoto produzido, Macapá (5,95%) e Belém (7,09%). Essas cidades também têm os piores índices de tratamento de esgoto entre as capitais. De acordo com o levantamento, Porto Velho despeja sem nenhum tratamento todo o esgoto que produz. Já Belém e Macapá tratam apenas 1,87% e 5,95% dos dejetos produzidos, respectivamente.
Os melhores índices de tratamento dos dejetos entre as capitais ficam com Curitiba, que trata 88,44% do esgoto, Belo Horizonte, Brasília (66,13%) e Goiania (63,45%). 
Universalização
Os avanços conquistados até aqui são insuficientes para que o Brasil possa atingir a meta de universalizar o atendimento da coleta e tratamento do esgoto até 2035, segundo Carlos.  “A gente ainda está longe do necessário. Temos avançado, mas muito abaixo do que precisamos se quisermos resolver o problema”, diz. Em relação à água, o presidente do Instituto Trata Brasil é mais otimista.
O Plano Nacional de Saneamento Básico prevê investimentos de R$ 302 bilhões até 2035 – cerca de R$ 15 bilhões por ano para purificação da água e coleta e tratamento de esgoto. O relatório mostra, no entanto, que apenas 25% do valor previsto por ano vêm sendo investido.
Entre 2009 e 2013, foram investidos R$ 16, 4 bilhões nas capitais. São Paulo foi a cidade com o maior investimento total (R$ 5 bilhões ou 30% do total), seguido de Recife (R$ 1,73 bilhão ou 11% do total) e de Belo Horizonte (R$ 997 milhões ou 6% do total).
Entre as 100 maiores cidades pesquisadas, apenas oito já atingiram a universalização dos serviços. Entre as 20 piores colocadas, nenhuma atingirá a universalização, caso continuem com o ritmo de investimentos atuais.
Em 2013, as cidades com melhores índices de saneamento eram Franca, Limeira, Santos e Taubaté, em São Paulo; Maringá, Londrina, Curitiba e Ponta Grossa, no Paraná; Niterói, no Rio de Janeiro; e Uberlândia, em Minas Gerais. 
Quatro capitais também são incluídas entre as cidades de piores indicadores: Porto Velho, Macapá, Belém e Manaus. Ao lado delas figuram municípios como Santarém e Ananindeua, no Pará, Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, Várzea Grande, em Mato Grosso; Gravataí, no Rio Grande do Sul e São João do Meriti, no Rio de Janeiro.
IG
Imagem: Futura Press
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