Depoimento à Conmebol poderia reduzir pena de Neymar. CBF não quis

Não era impossível reduzir a suspensão por quatro jogos de Neymar ao recorrer da decisão do Tribunal Disciplinar da Conmebol, como membros da CBF disseram informalmente para justificar a desistência no caso. A CBF poderia ter levado o jogador à Câmara de Apelações para conceder um depoimento admitindo o erro, algo que aumentaria as chances de redução, mas escolheu desistir.
A Câmara de Apelações da Conmebol é presidida pelo equatoriano Guillermo Saltos. A decisão do Tribunal Disciplinar que puniu Neymar por quatro partidas baseou o gancho da seguinte forma: três partidas pela tentativa de agressão ao colombiano Murillo, com uma cabeçada, e uma partida pelos insultos a Enrique Osses relatados pelo árbitro chileno na súmula da partida - é esse ponto que o recurso da CBF poderia tirar da punição.
Quem advoga nos tribunais da Conmebol e conhece tanto o Tribunal Disciplinar quanto a Cãmara de Apelações não consegue entender o motivo da desistência da CBF. Uma vez que a pena não poderia ser aumentada, é incompreensível e demonstra até fragilidade da seleção brasileira a decisão de não apelar. Quem aponta isso fala da alternativa de levar Neymar a um depoimento.
O depoimento à Câmara de Apelações é permitido. Em Santiago, no Chile, o presidente do órgão Guillermo Saltos está de plantão para resolver todas as questões. Neymar, então, poderia fazer o testemunho admitindo o erro e pedindo desculpas pelos insultos relatados por Osses. Saltos é conhecido por especialistas em direito esportivo pela rigidez, mas mesmo assim quem comenta o perfil do equatoriano diz que ele poderia ser convencido pelo depoimento.
A alternativa desconsiderada pela CBF que poderia render a presença de Neymar na final reforça que a escolha de não recorrer da decisão do Tribunal Disciplinar foi uma escolha, e não uma imposição.
Dentro da confederação, o que se afirma informalmente é que não recorrer foi uma escolha para preservar o grupo, por considerar que a presença de Neymar - astro e capitão - durante mais dez dias sem poder jogar não seria benéfica, e que por isso não seria positivo recorrer e aguardar até terça-feira pela nova decisão.
A Confederação, juntamente com comissão técnica e líderes do elenco, queria evitar repetir o clima de velório que tomou conta da equipe em 2014, quando a seleção também perdeu Neymar em meio a um torneio – lesão na vértebra na Copa do Mundo.
O discurso a favor da liberação de Neymar foi aberto pelo ex-campitão Thiago Silva, titular e autor de um gol na vitória sobre a Venezuela. Depois da partida, ele defendeu com contundência que o atacante fosse liberado.
"No momento da notícia, eu estava ao lado dele. Sofri junto com ele na hora. Todo mundo fica mal na hora. Isso não é bom. O mais certo é ter férias mesmo. Se está triste, não tem motivo para ficar", disse, antes mesmo da CBF anunciar a desistência.
No fim da noite de domingo, após a partida, Neymar se reuniu com o técnico Dunga e o coordenador de seleções Gilmar Rinaldi. A conversa, longa segundo membros da CBF, teve como objetivo deixar o atacante à vontade para decidir, sem pressão, se gostaria de permanecer com o grupo ou deixar a concentração e voltar ao Brasil.  ​
UOL ESPORTE
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