Obama pede exame de histórico de Trump e diz que campanha "não é reality show"

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WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um apelo à mídia e ao povo de seu país nesta sexta-feira a examinarem o "longo histórico" do provável candidato presidencial republicano Donald Trump e não se distraírem com o lado do "espetáculo e do circo" da campanha eleitoral de 2016.
O presidente democrata deu uma cutucada indireta na campanha espalhafatosa e agressiva de Trump, um ex-apresentador de programa de calouros, durante a etapa das primárias partidárias e na maneira como a mídia a cobriu.
"É importante que levemos a sério as declarações que ele fez no passado", disse Obama aos repórteres. "Só quero enfatizar até que ponto estamos em uma época séria e como este é um trabalho realmente sério."
"Isto não é entretenimento. Isto não é um reality show. Isto é uma disputa pela Presidência dos Estados Unidos, completou".
Ele disse que Trump tem um longo histórico na vida pública que deveria ser examinado atentamente, assim como as colocações e posições políticas de todos os candidatos.
"Se eles assumem uma posição em temas internacionais que podem causar uma guerra ou tem o potencial de abalar nossos relacionamentos com outros países, ou o potencial de arrasar o sistema financeiro – isso precisa ser informado", afirmou Obama.
Trump recebeu críticas e revoltou aliados quando disse que é preciso repensar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e sugeriu que o Japão e a Coreia do Sul deveriam pensar em obter armas nucleares para se defender. Ele é visto no exterior como um defensor de políticas isolacionistas que não se alinham com o papel atual dos EUA no mundo.
Obama disse que irá prestar atenção para ver se o povo norte-americano está sendo informado adequadamente sobre a postura dos candidatos que querem substituí-lo na Casa Branca, sobre o que acreditam e se suas propostas orçamentárias fazem sentido.
"O que me preocupa é até que ponto noticiar e informar começam a enfatizar o espetáculo e o circo. Porque não podemos nos dar a esse luxo", afirmou. "O povo norte-americano tem bom senso, tem bons instintos – contanto que tenha boas informações."

(Por Jeff Mason e Susan Heavey)
Imagem: Reuters
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