Câncer Infantil: alimentação e diagnóstico precoce

Por Willen Moura* | Colaborador em Saúde e bem Estar

menina comendo verduras, que são aliadas do tratamento do Câncer infantil
Foto: Revistapenseleve

Câncer Infantil: alimentação e diagnóstico precoce

Fevereiro é mês considerado de festa devido ao carnaval e o período de volta às aulas para muitas crianças em idade escolar que estão na primeira infância e infância intermediária. Esse mês, mais especificamente no dia 15, também é lembrado como o Dia Internacional de Luta contra o Câncer na Infância pela Confederação Internacional de Pais de Crianças com Câncer (CCI), que é representada por 188 organizações, em 96 países, mas uma pergunta inevitável se faz em relação à doença: Temos mesmo o que comemorar? A resposta muitas vezes pode estar “na ponta da língua”. 


Câncer infantil e a alimentação. 

Parece até um pouco impactante e controversa a afirmação do título deste artigo onde associa a etiologia do câncer com má alimentação, porém, informações coletadas de institutos sérios sobre a doença inferem que sim, essa enfermidade pode ter como uma das causas os maus hábitos alimentares. No entanto, ainda é precipitado afirmar, pois a alimentação é apenas uma das centenas de possíveis determinantes para esse mal, de causa ainda indefinida, que segundo o Childhood Câncer Internacional (ICC), mata 1 criança a cada três minutos.

Apesar de não serem totalmente conhecidas as causas do câncer infantil, o que se sabe é que corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum alterações em células embrionárias, imaturas e primitivas o que pode justificar o fato de que, nas crianças, principalmente na primeira infância, a doença ocorra de forma mais acelerada. 

Os tumores e condições mais frequentes na infância e na adolescência, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva – INCA, são as leucemias (que afeta os glóbulos brancos), os do sistema nervoso central e linfomas (sistema linfático). Bem como também podem acometer as crianças e adolescentes os neuroblastomas (tumores de células do sistema nervoso periférico, frequentemente de localização abdominal), tumor de Wilms (tipo de tumor renal), retinoblastoma (afeta a retina, fundo do olho), tumor germinativo (das células que vão dar origem aos ovários ou aos testículos), osteossarcoma (tumor ósseo) e sarcomas (tumores de partes moles). 

De acordo com informações do mesmo Instituto, pode-se classificar a alimentação e a nutrição inadequadas como a segunda causa de câncer que pode ser prevenida. Neste contexto, são responsáveis por até 20% dos casos de câncer nos países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, e por aproximadamente 35% das mortes pela doença. Baseado nessas informações o Inca destaca que se a população adotasse uma alimentação saudável, aproximadamente um em cada três casos dos tipos de câncer mais comuns poderiam ser evitados. Ou seja, para cada 100 pessoas com câncer, 33 casos poderiam ser prevenidos. Embora esses dados sejam relacionados à população em geral, em sua maioria adultos, os hábitos alimentares dos pequenos são temas de constantes debates e pesquisas relacionando-os às enfermidades. 

Primeira Infância e Câncer, estatísticas e a falta de informação

Assim como em países desenvolvidos, no Brasil, o câncer já representa a primeira causa de morte. Cerca de 12 mil novos casos de câncer infantil são registrados no Brasil a cada ano, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca). O número é considerado alarmante, porém, para alguns, como é o caso de Cecília Lima da Costa, diretora da Oncologia Pediátrica do A.C. Camargo Câncer Center, essa estatística é “modesta” pois, conforme destacou em uma entrevista sobre o tema, o câncer em crianças e adolescentes é considerado uma doença rara – no mundo, onde apenas 3% do total de casos de neoplasias malignas acometem jovens de 0 a 15 anos e a maioria deles acontece na primeira infância. 

Por outro lado, um grande problema em relação ao Câncer infantil e principalmente a essas estatísticas, é o fato da doença não receber a devida atenção nas crianças quanto recebe entre adultos. Segundo reportagem destaque em O Globo (2016), devido ao baixo registro de casos, por vezes a enfermidade é ignorada no exame médico e tem seus sintomas confundidos com fraturas ou males comuns. Por esse motivo, trata-se de uma das principais causas de morte entre crianças nos países em desenvolvimentos e no Brasil. O diagnóstico precoce ainda é a principal arma contra o câncer em crianças e adolescentes, porém, no país ainda há uma infraestrutura precária para a análise do paciente. No Rio Grande do Norte, no entanto, há pelo menos duas instituições que trabalham em prol de campanhas, no cuidado e na prevenção do Câncer Infantil como é o caso da Casa Durval Paiva de Apoio a Criança com câncer e Grupo de Apoio à Criança com Câncer do RN (GACC-RN). 

Sinais, Sintomas e o diagnóstico precoce

O Que fazer? Prevenir, remediar, se alimentar?

Independente de que atitude tomar, o mais importante de tudo é procurar um médico e avaliar a criança, pois quanto mais cedo for diagnosticado, maiores serão as chances de cura, com menos sequelas após o tratamento. De acordo com os profissionais da Casa de Apoio à Criança com câncer Durval Paiva, todos que convivem com as crianças e os adolescentes, devem estar atentos aos sinais e sintomas: desequilibro ao andar, febre de origem inexplicada, dor óssea persistente, perda de peso, suor noturno exacerbado, mancha branca no olho, dentre outros.

Uma alimentação rica em frutas, legumes, verduras, cereais integrais, feijões e outras leguminosas, e pobre em alimentos ultraprocessados, como aqueles prontos para consumo ou prontos para aquecer e bebidas açucaradas, podem prevenir de 3 a 4 milhões de casos novos de câncer a cada ano no mundo, segundo destacou o INCA. 

É importantíssimo que, além de procurar um médico com intuito de avaliar precocemente qualquer sintoma relacionado ao câncer infantil, podemos realizar uma consulta com um nutricionista, pois, junto com o médico, é o profissional indicado para realizar um cardápio apropriado para tentarmos prevenir os efeitos dos maus hábitos alimentares na nossa saúde, bem como é essencial ter uma alimentação saudável mesmo que a criança já esteja acometida por um câncer, pois assim irá preservar o funcionamento dos sistemas vitais pois, segundo a nutricionista Priscila Maia Lemos, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), essa enfermidade é catabólica, ou seja, o tumor maligno atua de forma a consumir as reservas nutricionais do hospedeiro, o que causa perda de peso e consequentemente de elementos nutricionais fundamentais para manter o corpo em pleno funcionamento.


*Willen Moura | Estudante de Medicina, Jornalista e Psicólogo
Compartilhe no Google Plus