Ser mulher – ser sazonal, por Rejane Dockhorn

O outono ainda nem bem começou, mas como é da nossa natureza, não nos atemos ao calendário. As folhas começaram a amarelar e cair antes do tempo. O sol forte do verão minou as forças de quem há tempos as carregava. E, assim, no início do outono, elas começaram a cair. Uma por uma, até não sobrar nenhuma. Algumas ficaram no chão, rente ao caule. Outras voaram com o vento para o meio da rua, para o quintal do vizinho ou para bem longe.

Todas se foram para sempre. E a árvore, foi ficando aos poucos, assim, completamente desnuda. Desnuda de suas folhas, desnuda de suas filhas, desnuda de si própria. Viu-se obrigada a brotar novamente, a parir novas folhas, novas filhas. Elas nasceram. A princípio, muito tenras, frágeis.

Mas não caíram, nem mesmo com o vento. Desenvolveram-se plenamente, até deixar a árvore completamente vestida. Vestia-se de verde. Antes nua, agora mostrava-se bela e frondosa. Poderia abrigar pássaros, poderia florescer, dar flor. Na primavera, então, mostrava seu mais lindo vestido, florido, colorido.Todos ficaram enamorados. Abrigava pares apaixonados em seus galhos, que cantavam já de madrugada.

Quando findou a primavera, o vestido fez-se tapete para enfeitar a mãe terra. Aquela que, maternalmente, que lhe dava toda energia vital de existir. E nos dias quentes de verão, então, voltou a acolher todos em sua sombra. Com seus braços, envolveu-os num abraço, repleto de amor. E o ciclo, uma vez completo, cada vez de novo se inicia infinitamente se repete. Como, então, não repetir ciclos sendo mulher, humana, mens sana ou insana. Ser árvore, viver a estação. Ser humana, viver a emoção. Ora ser primavera, ora ser verão. Ora invernal, ora outonal. Ser mulher, ser racional, ser sazonal.

Texto de Rejane Dockhorn

Imagem de DanaTentis por Pixabay

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