181 lotes de remédios para hipertensão são recolhidos pela Anvisa

Teve início em fevereiro deste ano o recolhimento de 181 lotes de medicamentos usados para tratamento de hipertensão arterial. A ação, segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), se fez necessária depois que a EMA (agência europeia de medicamentos) detectou nesses medicamentos a presença de impurezas associadas a um potencial risco de câncer.

O losartana, segundo remédio mais vendido do país, e o valsartan, também muito utilizado no Brasil, estão entre os medicamentos recolhidos pela Anvisa. Vale salientar que as medidas, que seguem práticas jás adotadas em outros países, envolvem lotes e empresas específicas e não abrangem todo o mercado. A lista completa pode ser consultada no site da agência.

Ao todo, 30 milhões de brasileiros têm diagnóstico de hipertensão arterial. A orientação é que quem fizer uso do remédio mantenha o tratamento até avaliação com um médico para possível troca do produto.

“A terapia da hipertensão é mais importante do que isso. Se uma pessoa para de usar o medicamento, ela pode ter consequências sérias à saúde, até no mesmo dia”, afirma o gerente-geral de inspeção e fiscalização sanitária, Ronaldo Gomes.

As impurezas detectadas são as nitrosaminas, substâncias encontradas em pequenas quantidades na água e em alguns alimentos, mas que, em altos níveis e com consumo prolongando, podem levar ao risco de câncer.

Nos medicamentos usados no Brasil não foram encontrados, até o momento, altos níveis de nitrosaminas, e por isso o risco aos pacientes é considerado baixo.

“O paciente que ingerir o medicamento vai ter câncer? Não. As chances são ínfimas”, afirma Gomes. “Essa impureza está presente em níveis muito baixos.”

O risco, de acordo com os cálculos da agência, se dá apenas em casos de ingestão, ao longo de cinco anos, de medicamentos com o nível máximo de nitrosamina já descoberto até o momento. Neste caso, o cálculo seria de um caso extra de câncer a cada 6.000 pacientes. Para comparação, no Brasil, a incidência atual de câncer é de 600 mil casos ao ano, ou um caso a cada 333 brasileiros.

“Temos que lembrar que nem todos os lotes tinham essas impurezas. Provavelmente essa exposição por cinco anos nunca aconteceu e não vamos ter casos de câncer relacionados a isso. Mas temos que prevenir que essa exposição que aconteça, daí as medidas”, afirma a gerente de fiscalização de medicamentos, Andrea Geyer. Ela reforça que o risco de problemas à saúde é maior pela interrupção brusca do uso dos medicamentos, cujo uso contínuo é fundamental para o controle da hipertensão, do que pela suspeita de contaminação dos produtos com as nitrosaminas.

E não há risco de tomar um medicamento com impurezas? “O risco de tomar o medicamento por duas semanas adicionais é passível de ser negligenciado. Até que consiga verificar com seu médico, o paciente pode continuar ingerindo o medicamento, que continua a ser eficaz”, completa Gomes.

Neste caso, a recomendação é que o paciente verifique se o lote do medicamento que utiliza está na lista dos que estão sendo recolhidos e informe seu médico para substituição.

A medida é válida a apenas alguns lotes, desta forma, um remédio que estiver na lista pode ter lotes alvo de recolhimento e outros que foram considerados adequados. Novas fiscalizações estão sendo executadas.

Diversas ações estão sendo realizadas para assegurar que novos lotes de medicamentos a serem produzidos não tenham essas impurezas. Entre elas, estão a suspensão da importação, comercialização e uso de insumos farmacêuticos ativos de fabricantes com indícios e evidências de presença dessas impurezas.

Ao todo, já foram suspensos três insumos (valsartana, losartana e irbesartana) de dez fabricantes internacionais. “Também fizemos uma medida que foi um programa de fiscalização específico de todas as empresas”, diz Gomes.

Ronaldo Gomes esclarece ainda que não houve falha das fabricantes dos remédios. “Foi algo imprevisto. O que se percebeu foi que, em determinadas situações, pelo uso de solvente recuperado pelas fabricantes de insumos, esses solventes poderiam ser contaminados por quantidade ínfima de uma substância que na reação desses compostos gerariam a nitrosamina”, explica Gomes.

CONSULTE OS LOTES PELA ANVISA AQUI

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Redação CONTI outra. Com informações de Yahoo.

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