Quando minha sobrinha de 6 anos me ensinou a importância da representatividade

Dia desses, a minha sobrinha de 6 anos entrou no meu quarto e viu, em meio a uma pilha de livros em cima da minha escrivaninha, a HQ “Ms. Marvel -Nada normal”. Ela ficou visivelmente encantada com as ilustrações e as cores da revista. Então me propus a ler pra ela, no que ela aceitou com um sorrisão no rosto.

Na HQ roteirizada por G. Willow Wilson e ilustrada por Adrian Alphona, a protagonista é Kamala Khan, uma menina muçulmana que adquire superpoderes e se torna a Ms. Marvel. A história fala, sobretudo, de auto-aceitação e empoderamento.

Logo na primeira página da história, Kamala surge em uma lanchonete, rodeada pelos seus amigos, cheirando um sanduíche de bacon. Ela não poderia comê-lo, pois estaria agindo contra os princípios da sua religião, então se contenta em cheirá-lo. E, no momento em que descrevi a cena à Lorena, minha sobrinha, sua primeira reação foi de susto. Ela olhou pra mim e perguntou: “Ela não pode comer bacon por causa da religião dos pais?” , no que eu respondi que sim. Então os olhos dela brilharam e ela disse: “A Kamala é igual a mim” – Nas palavras de uma menina de 6 anos, claro!

Lorena também tem restrição à carne suína. Então, posso imaginar que, ao se ver representada na personagem da HQ, ela tenha ficado surpresa, por descobrir que ela não era a única, e tenha se sentido acolhida. É esse o papel da representatividade, ela faz brilhar os olhinhos de crianças como a minha sobrinha.

Ao fim da leitura, com Kamala Khan já cheia de confiança, auto-aceitação e auto-estima, Lorena ficou tão fascinada que quis tirar uma foto dela com a revista. Fiz isso, e então ela me pediu: “Agora quero uma foto com a Kamala de super-heroína!”

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