Joaquim Barbosa critica processo de impeachment

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa afirmou ter dúvidas sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff em curso no Congresso e defendeu que a população seja consultada em caso de novas eleições.
A manifestação ocorreu na noite da última sexta-feira, 22, durante um simpósio em Florianópolis.

Barbosa: "bizarro" (Foto Fernanda Zauli)
Para Barbosa, as acusações contra a presidente (pedaladas fiscais) são fracas e colocam a Nação diante de um grave problema de “proporcionalidade”.

“Essa alegação, a meu ver, é fraca, é ela que provoca esse desconforto, porque descumprimento de regra orçamentária é a regra de todos os governos do Brasil. Não é por outra razão que todos os Estados brasileiros estão virtualmente quebrados, vocês perceberam as dificuldades? Há, nesse fundamento, um problema sério de proporcionalidade, eu não estou dizendo que a presidente não descumpriu essas regras da lei orçamentária, da lei de responsabilidade fiscal, o que estou querendo dizer que é desproporcional, é brutal, é uma anormalidade você tirar um presidente da República sob este fundamento num país como o nosso.”
Barbosa condenou a relação entre os Poderes no Brasil e disse que a presidente Dilma Rousseff fez escolhas erradas e acabou “engolida.”
Na opinião do ex-presidente do STF, a petista não “soube usar a extraordinária força do cargo que ela exerce para combater algo que vem gangrenando as instituições do País, que é a corrupção”.
“Bizarro”
O ex-ministro classificou a votação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados como “espetáculo, no mínimo, bizarro” e propôs que Dilma renuncie ao cargo e condicione a sua saída à aprovação de uma grande reforma política no País.
“Por exemplo, acabar de vez com o financiamento de empresas, instituir o voto distrital, acabar com essa esbórnia de partidos, essa coisa ridícula de o País ter 35 partidos políticos, e outras dessa natureza”, defendeu.
Da revista Exame Online
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