Mercado financeiro já enxerga Bolsonaro como presidente?

Imagem: Diário do Nordeste
5 especialistas comentam o impacto das últimas pesquisas eleitorais 


O mercado financeiro tem ficado animado com a possibilidade de vitória de Jair Bolsonaro, candidato pelo PSL, por ser de um aspecto liberal junto a sua equipe econômica. Todo projeto com caráter liberal pressupõe um melhor ambiente para os negócios, favorecendo as empresas e suas lucratividades, gerando também emprego e renda. Um projeto como esse é praticamente inédito no Brasil e a Bolsa reflete isso, pois acaba por aumentar a expectativas de resultados futuros das empresas, por este motivo o mercado resulta de uma maneira positiva. "A expectativa de vitória no primeiro turno se dá pelo forte crescimento, a pesquisa do Ibope mostrou um aumento, mesmo com um grande número de ataques provenientes da imprensa e de outros candidatos. Começam a acreditar que o fenômeno ocorrido com João Dória, em São Paulo, de ter uma arrancada final e vencer no primeiro turno, possa se repetir, mas dessa vez com o candidato de direita, Jair Bolsonar. Outro fator é a rejeição que o PT tem e pode ter gerado um movimento de mudança dos eleitores. O partido de direita estava em crescimento, para evitar o PT no poder", explica André Bona, Educador Financeiro do Blog de Valor. 

O queda extremamente acentuada, de mais de 2% do dólar, reflete que o mercado não acredita nas pesquisas de intenção de voto, no que se refere a um eventual segundo turno entre Fernando Haddad, candidato pelo PT, e o candidato do PSL. "Para o mercado estar reagindo positivamente, não somente com o dólar caindo cerca de 2%, mas também a bolsa subindo 3%, mostra que o mercado não acredita em uma vitória do candidato do PT. Agora, isto se contrapõe com as pesquisas, que mostram Haddad com uma menor rejeição. O mercado não está acreditando na situação de empate em um segundo turno de Haddad e Bolsonaro", diz o Diretor de Câmbio da FB Capital, Fernando Bergallo. Para o Educador Financeiro do Canal 1Bilhão, Fabrizio Gueratto, no começo o mercado só aceitava o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, mas com o risco do PT sair vitorioso nesta eleição, junto com Paulo Guedes deixando claro qual seria a política econômica, foi possível o mercado se acalmar, fazendo com que passasse a aceitar Bolsonaro. "Com a vitória do candidato do PSL, cada vez mais o dólar tende a cair e os investimentos em renda variável a subir. Porém, tudo depende efetivamente do que acontecerá no governo, se realmente será possível aprovar todas as reformas que o país necessita. Ou seja, com a conquista de Bolsonaro, teríamos uma calmaria até o começo de seu mandato", lembra Fabrizio Gueratto. 

A Assessora Financeira da FB Wealth, Daniela Casabona, acredita que a crença do mercado financeiro no resultado favorável a Jair tem um impacto positivo. "Passa para o estrangeiro, que é grande parte dos investidores do nosso país, um pouco mais de credibilidade principalmente com relação a corrupção que manchou bastante as empresas e retraiu os investimentos por aqui", esclarece Daniela. O explicito confronto entre a percepção de mercado e as pesquisas de intenção de voto mostram não fazer sentindo um cenário de extremo otimismo com Haddad no segundo turno, empatado com Jair. "Só existe uma hipótese, sendo ela: o mercado está praticamente descartando a possibilidade de vitória do PT, embora as pesquisas ainda não digam isso", lembra Bergallo. 

Para que Jair Bolsonaro ganhe nesta semana, seria necessário que ele tivesse mais da metade dos votos válidos. Teria que contar, portanto, com mais de 40% dos votos no primeiro turno. "O candidato do PSL é interpretado pelo mercado como uma alternativa mais razoável para o andamento das reformas econômicas a partir de 2019. Isto porque conta com uma plataforma de cunho mais liberal, baseada em privatizações e revisão dos gastos fiscais. O principal economista de Bolsonaro é Paulo Guedes, de formação ortodoxa. Com este pano de fundo mais positivo para as reformas macroeconômicas, o Real e o Ibovespa se valorizam bastante nesta sessão e os juros futuros recuam", finaliza o Economista-Chefe da DMI Group, Daniel Xavier. 


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