Usinas suspendem fornecimento

As indústrias de laticínios do Rio Grande do Norte interromperam o fornecimento do Programa do Leite, ontem. A iniciativa foi tomada devido ao atraso no cronograma de pagamento firmado entre o Governo do Estado, Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Norte (Sindleite) e consórcios do setor, prevendo a quitação da segunda quinzena de setembro passado no dia 3 deste mês.

Alex RégisNelson Tavares acredita que não há motivos para paralisaçãoNelson Tavares acredita que não há motivos para paralisação
De acordo com o vice-presidente do Sindleite, Francisco Belarmino de Macedo, houve a interrupção do fornecimento por parte de alguns produtores, desde a manhã de ontem. Ele não revela quantos fornecedores suspenderam a entrega, nem quantos litros de leite deixaram de ser repassados ao Governo do Estado. “Queríamos que todos tivessem feito isso, mas ainda não conseguimos mobilizar a totalidade dos produtores. E como iniciamos a iniciativa hoje, ainda não sabemos exatamente quantos aderiram”, explica.

Macedo afirma que os produtores permanecem dispostos a negociar novamente com a administração estadual, “mesmo vendo que o governo não vem cumprindo o que nos promete”. Entretanto, ele se queixa dos constantes atrasos, ao dizer ser inviável continuar fornecendo o produto sem saber quando o devido pagamento será efetuado e garante que o fornecimento será suspenso até a quitação da segunda parcela de setembro.

O vice-presidente do Sindleite diz ainda ter obtido a informação, junto à Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplan), de que o pagamento não seria realizado ontem, ao contrário do que foi divulgado pelo secretário na semana passada. “Do jeito que está, o produtor não consegue sobreviver”, lamenta Macedo.

Já o secretário estadual de Planejamento e Finanças, Nelson Tavares, afirma não ter sido informado sobre a suspensão no fornecimento do leite e diz acreditar não haver motivo para esse tipo de movimentação por parte dos produtores, uma vez que o governo vinha se organizando para efetuar o pagamento ontem ou hoje.

Segundo Tavares, a intenção da administração estadual era cumprir com o cronograma estabelecido no final do mês passado. Entretanto, o feriado do Dia de Finados, precedido pelo ponto facultativo para os servidores estaduais no dia 1º de novembro, impossibilitou o pagamento na data prevista. “Trabalhamos na folha de pagamento (dos servidores do estado) até o dia 29 de outubro. Como na semana seguinte tivemos um dia com ponto facultativo e depois um feriado, não foi possível organizar toda a documentação para o pagamento do Programa do Leite sair no dia 3 de novembro, mas estamos fazendo as ordens bancárias agora e iremos regularizar tudo”, garante o titular da Seplan.

A reportagem tentou entrar em contato com a Secretaria Estadual do Trabalho e Assistência Social (Sethas), para saber a partir de quando a população passará a sentir os efeitos da suspensão no fornecimento. Entretanto, ninguém atendeu ao telefone do setor responsável pelo Programa do Leite no órgão.

Programa

Através do Programa do Leite, o governo adquire mais de 150 mil litros diários de leite bovino e caprino, o que corresponde a mais de 30%, dos 450 mil litros produzidos diariamente pelo rebanho potiguar, configurando um estímulo à produção do estado. Anualmente, são investidos cerca de R$ 84 milhões na compra do leite distribuído junto à população.

No total, o programa atende a mais de 155 mil beneficiários, entre gestantes e crianças de famílias carentes. Eles recebem o produto gratuitamente, em diversos pontos de distribuição espalhados pelo estado.

No início de outubro, o programa teve a gestão desmembrada. Antes, o órgão responsável por todo o funcionamento da iniciativa era a Secretaria Estadual do Trabalho e Assistência Social (Sethas), que desde o dia 1º de outubro passou a ser responsável apenas pela distribuição, com a compra do produto sendo realizada pelo Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).
Tribuna do Norte