Acompanhamento pré-natal não pode ser interrompido durante a pandemia

SOGORN alerta que a falta ou suspensão do acompanhamento gestacional pode gerar complicações na gestação e no futuro das crianças.



Os cuidados com a mãe e o bebê durante a gestação são essenciais para garantir um futuro saudável à criança. No entanto, neste período de pandemia, algumas gestantes interromperam seus acompanhamentos médicos-ginecológicos devido às dificuldades encontradas na marcação de consultas e exames. Mas a Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte (SOGORN) alerta que o pré-natal não pode parar, pois é o momento em que se esclarecem dúvidas, realizam-se exames e avaliações importantes sobre a saúde da mãe e do bebê.

“Quem está dando plantão nas maternidades tem visto pacientes chegando com complicações que poderiam ser evitadas no pré-Natal: trabalho de parto prematuro, dificuldades devido a enfermidades provocadas por distúrbios metabólicos, principalmente entre as diabéticas, insulinodependentes, que estavam seguindo dietas e protocolos, mas que interromperam o tratamento devido à pandemia”, explica a ginecologista Ivete Matias, membro da SOGORN. 

Segundo o Ministério da Saúde, o ideal é que nos primeiros três meses de gestação o pré-natal seja iniciado e haja a realização de, no mínimo, seis consultas durante toda a gravidez, mas isso pode variar dependendo de cada caso. A recomendação é que até a 30ª semana o acompanhamento das gestantes ocorra mensalmente e, a partir da 31ª, as consultas sejam quinzenais e, após a 37ª, esse acompanhamento deve ser semanal. Ao chegar na 40ª semana, é necessária a marcação de encontros a cada dois ou três dias. 

Nessas consultas, os obstetras examinam as gestantes e as encaminham para marcação de exames, vacinas e ultrassonografias. No entanto, nos últimos meses, por causa da Covid-19, essa rotina tem sido prejudicada devido ao afastamento de alguns profissionais e à superlotação dos hospitais de referência, porém as gestantes precisam continuar esses encontros, como explica a especialista: “um pré-natal feito corretamente, com todos os cuidados e uma assistência multidisciplinar é o começo de tudo, pois, caso não haja esse acompanhamento, podem surgir complicações no decorrer da gestação que podem comprometer a saúde da mãe e da criança”, alerta a obstetra Ivete Matias.

Diante disso, a SOGORN recomenda que os profissionais e as clínicas ofereçam os cuidados necessários às pacientes e continuem com os agendamentos de consultas e exames pré-natais. O aconselhamento da médica Ivete Matias é que os consultórios e maternidades se adaptem ao momento: “é importante tomar medidas como a flexibilização dos horários, a limitação do número de pacientes em salas de esperas, e a manutenção da proteção individual dos profissionais e das gestantes, mas, jamais, suspender ou adiar o atendimento pré-natal. Principalmente nos serviços de saúde pública, precisamos ter esse olhar atento para os cuidados com a neonatologia”, defende.

Editor de Saúde local: Willen Benigno de Oliveira Moura
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