Voto impresso pode ser pretexto para tumultuar resultado de eleições, diz professor

Imagem: José Cruz - Agência Brasil


Renato Janine considera que é muito difícil haver fraude nas eleições, porque desde o início da adoção das urnas eletrônicas nunca aconteceu uma vitória total de um único partido

Nesta coluna, Renato Janine Ribeiro comenta uma fala do presidente Bolsonaro, que disse que, se não houver voto impresso, não haverá eleições em 2022. O colunista aponta que o presidente da República não tem o poder nem o direito de dizer se vai haver eleição ou não, pois isso é regulado pela Constituição e há toda uma legislação específica.

Janine lembra que, em outras tentativas, o Supremo Tribunal Federal (STF) já declarou a inconstitucionalidade do voto impresso. Atualmente, a ideia é de se fazer uma Emenda Constitucional instituindo o voto impresso, com o intuito de saber se há algum tipo de fraude no sistema.

O colunista considera que é muito difícil haver fraude, porque desde o início da adoção das urnas eletrônicas nunca aconteceu uma vitória total de um único partido. “O mais próximo foi a vitória do Bolsonaro e os governadores que ele elegeu”, lembra o colunista. Se houvesse fraude, por que Lula e Dilma foram eleitos, sendo que os governadores dos principais Estados eram de partidos de oposição, assim como com Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998, quando alguns governadores também eram de partidos de oposição?, questiona.

Para o professor, a ideia do voto impresso pode tumultuar as eleições, pois algumas pessoas mal-intencionadas poderiam alegar que votaram de modo diferente ao que aparece impresso e isso poderia causar muitos problemas, sendo, inclusive, usado até como pretexto para uma intervenção armada contra o resultado das eleições, como já aconteceu em outros países.

Jornal da USP
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