Inovação: Sorvete é desenvolvido para aliviar sintomas da quimioterapia

Marcella Cunha sentada em sofá sorrindo e segurando um pote de sorvete
Marcella Cunha faz tratamento contra um linfoma de Hodgkin e encontra em sorvete alívio para efeitos colaterais como náuseas
A quimioterapia é uma forma de tratamento que se utiliza de substâncias químicas para a erradicação de células tumorais de determinado organismo. Embora o medicamento vise essas células, a quimioterapia pode atacar também as que são saudáveis. 



Dessa forma, o tratamento pode causar uma diversidade de efeitos colaterais como feridas na boca, náuseas, vômitos, diarreia ou constipação, pele seca e outros. Frente a esse cenário, a nutricionista Paloma Mannes tomou uma atitude e tentou melhorar a experiência dos enfermos que passam por esse processo. 

Durante seu trabalho de conclusão de residência no Hospital Universitário de Santa Catarina, ela criou um sorvete que alivia o desconforto dos pacientes causados pelo tratamento. Além de ajudarem nos efeitos, esse sorvete tem uma composição alimentar importante, funcionando como suplemento.

Antes de ser produzido, o projeto precisou ser validado economicamente e na prática, afinal era essencial que o produto se adequasse ao cotidiano do hospital e dos pacientes. Foi realizada uma pesquisa então, buscando entender as necessidades, funcionalidades e viabilidade do projeto. 

Equipe de pesquisadoras responsável pelo projeto
Trabalho das pesquisadoras também levou em conta oferecer um tratamento humanizado aos pacientes
Imagem: Divulgação
Ao analisar os resultados apresentados no pré-projeto, notou-se a busca de alimentos como sucos, frutas e sorvetes pelos pacientes. Assim, o grupo de pesquisa decidiu desenvolver o sorvete e incrementá-lo com ingredientes que apresentasse um alto valor nutritivo e energético, objetivando o combate à perda de peso causada pela perda do apetite e fortalecimento do organismo. 

Após a fase de pesquisas foram desenvolvidos três sabores, limão, morango e chocolate, os mais popularmente requisitados, cuidadosamente estudados em aspectos de sabor e textura. Depois de produzidos, o produto foi fornecido à 30 pacientes em tratamento e 108 pessoas saudáveis. Nesta fase, o produto foi avaliado e reestruturado para adequar-se às demandas sensoriais. 

Em 2017 o sorvete finalmente foi finalizado, com uma aprovação de 77% a 98% dos participantes. Indicando ampla aceitação, tanto dos pacientes quanto de pessoas que não estão passando pelo processo de quimioterapia. Tornou-se, portanto, um “case” de sucesso na área da saúde e gerou a possibilidade de novas aplicações de sorvetes em funções terapêuticas. 

O mais importante dessa nova invenção é que os seus objetivos estão sendo empiricamente atingidos. Pacientes que o estão consumindo junto ao tratamento relatam alivio dos sintomas relacionados às dores, irritações, náuseas e vômitos. Além disso, diminuiu-se a perda de peso e promoveu-se uma nova experiência, dessa vez boa, vinculada a esse processo envolto de tantas dificuldades.