Casos de chikungunya aumentam 15% no estado do Rio até meados de março

O relatório destaca a necessidade de controlar o mosquito Aedes aegypti de forma integrada e multissetorial, considerando que o  mesmo espalha várias doenças
ONU/Aiea/Dean Calma
Os casos de chikungunya aumentaram 14,95% este ano no Rio de Janeiro. Passaram de 5.885, em 2018, para 6.765. Os dados apresentados pelo Ministério da Saúde referem-se até o último dia 16 e mostram queda do número de casos de dengue e de zika no mesmo período. Os casos de dengue passaram de 4.624 para 2.960, enquanto os de zika caíram de 513 para 117.

O estado do Rio aparece entre que registram os maiores índices de chikungunya no país, com 39,4 casos por 100 mil habitantes, seguido do Tocantins (22,5 casos, na mesma base de comparação), Pará (18,9 casos) e Acre (8,6 casos). Segundo o ministério, em 2019 não foram confirmadas mortes por chikungunya no Brasil. No mesmo período do ano passado, foram confirmadas nove mortes.

Embora os números fornecidos hoje (26) pela Superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria estadual de Saúde do Rio de Janeiro sejam diferentes dos divulgados pelo ministério, eles comprovam o aumento dos casos de chikungunya no estado de 1º de janeiro a 19 de março, em comparação com igual período de 2018: de 5.903 para 6.747 casos. Segundo a superintendência, este ano até o dia 19 de março, foram registrados no estado do Rio 2.993 casos de dengue e 225 de zika. No mesmo período de 2018, foram 4.596 casos de dengue e 721 de zika.

Capital

Na cidade do Rio de Janeiro, a Secretaria Municipal de Saúde informou que foram registrados 2.753 casos de chikungunya de janeiro a março de 2019, contra 1.774 casos no mesmo período do ano passado, o que representa aumento de 55,18%. Os números foram atualizados ontem (25) pela secretaria.

Por regiões da capital fluminense, os maiores índices de chikungunya foram registrados na Cidade de Deus (267), em Paciência (237) e em Bangu (171), bairros localizados na zona oeste.

Cuidados

O médico infectologista André Siqueira, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, confirmou que os bairros da zona oeste da capital apresentam condições propícias para a disseminação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença e também da dengue e da zika.

Segundo Siqueira, a prevenção contra a chikungunya requer os mesmos cuidados recomendados para a dengue, isto é, atenção aos criadouros de mosquitos, como recipientes com água parada e pneus vazios. “A maioria dos criadouros está dentro dos domicílios. Então, cuidar bem da residência é um fator importante tanto para a pessoa quanto para seus vizinhos. E, no nível individual, é o uso de repelentes, que acabam ajudando a proteger, assim como o uso de mosquiteiros e telas na casa. Isso acaba ajudando também.”

De acordo com o médico infectologista, o que diferencia muito a chikungunya da dengue e da zika é a intensidade das dores articulares no punho, no joelho. “Todas as articulações podem ser afetadas.” Junto com isso, são sintomas da chikungunya febre alta, dor de cabeça, inapetência e dor no corpo. “Mas a dor articular é o que mais caracteriza”. André Siqueira admitiu que, às vezes, é difícil distinguir só com os sintomas entre uma doença e outra.

Consequências

Um dos grandes problemas em relação à chikungunya é que as dores articulares podem permanecer nos pacientes por semanas, meses ou até anos. Muitas vezes, são dores debilitantes, que impedem as pessoas de trabalhar. “A pessoa fica incapacitada, pode estar associada à depressão. Pode dar alterações na pele e nos cabelos, entre outras complicações”.

Como há dificuldade em diagnosticar entre zika, dengue e chikungunya, Siqueira recomendou que a ingestão de muito líquido. “Como é uma doença viral, o líquido é bastante importante”. No caso específico da chikungunya, é importante procurar o serviço de saúde para ter orientação sobre quais medicamentos usar para aliviar os sintomas, acrescentou.

Não se deve, de maneira alguma, tomar medicações que outras pessoas estejam tomando, porque isso pode provocar alterações nos rins, por exemplo. Se a pessoa tem diabetes, a automedicação pode desregular o sistema endócrino. Pode haver ainda sangramento no estômago. “É importante não se automedicar”, alertou o médico.

Por Alana Gandra - Agência Brasil | Edição: Nádia Franco
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