Audiência Pública discute situação da saúde de Natal

Fotos: Verônica Mâcedo


A Comissão de Saúde da Câmara Municipal do Natal realizou na tarde de ontem, uma audiência pública para discutir a situação da saúde no município de Natal. Entre os temas debatidos, os problemas das unidades de pronto-atendimento (UPA) da capital e também a carga horária dos profissionais da enfermagem que atuam nas unidades de saúde e de emergência da rede municipal. Para a representante do Sindicato dos Servidores da Saúde (SINDSAÚDE), Kelly Jane, a mudança na jornada dos profissionais afeta a qualidade dos serviços ofertados à população. "A quantidade de plantões correspondente a nossa carga horária é de nove plantões mensais. A secretaria por sua vez aumentou para dez plantões. Esperamos que a portaria que institui essa alteração seja revogada. É preciso entender que o aumento da carga horária prejudica a qualidade do atendimento, já que os profissionais estarão cada vez mais sobrecarregados", afirmou.

De acordo com o secretário municipal de Saúde, George Antunes, o encontro foi positivo. Ele explicou o que está sendo feito para melhorar os atendimentos nas unidades de pronto-atendimento e sobre os casos de mortes dentro das unidades e o que será feito para corrigir os plantões da enfermagem. "Vou encaminhar ao Conselho Federal de Medicina o questionamento, pedir um parecer técnico e consequentemente se houver alguma irregularidade dentro da portaria da Prefeitura que altera essa normativa, nós iremos modificar. Nosso objetivo não é prejudicar a categoria. Quanto às mortes nas UPAS elas não foram atípicas. As UPAS trabalham em uma situação de emergência, muitos pacientes em estado terminal, que já vão às últimas procurar atendimento. Não fugiu do nosso padrão o atendimento, temos as estatísticas sobre os casos e colocamos a disposição da casa, os prontuários desses pacientes para que a comissão averigue se essas mortes poderiam ser evitadas", disse.

O Presidente da Comissão de Saúde, vereador Fernando Lucena (PT), criticou a ausência de outros representantes do sistema de saúde pública para debater a situação dos atendimentos e regulação nas UPAS. "Nós convidamos os reguladores, secretário de Saúde do Estado, Promotoria da Saúde, mas só compareceu o secretário Municipal. O debate de hoje foi feito em cima do número de mortes nas unidades. Estão morrendo pessoas, as UPAS estão virando hospitais, o quadro geral da saúde que não é bom no estado. Infelizmente veio apenas o secretário municipal de saúde que disse que vai rever a portaria dos enfermeiros. O debate está sendo feito, estamos aqui para isso. Vamos continuar fiscalizando e cobrando as soluções", Fernando Lucena.

"Uma das grandes dificuldades de operacionalização das UPAS é a procura por atendimento feita por pessoas vindas do interior e até cidades na divisa com a Paraíba. O estado na sua totalidade não assume, principalmente repassando verbas para Natal, mas apesar das dificuldades as unidades prestam atendimento sim. Quando se trata de urgência e emergência, porta-aberta para atender a população, a primeira oportunidade que vão encontrar são as UPAS", destacou o vereador Preto Aquino (PRATIOTA), que é um dos integrantes da comissão Comissão de Saúde. 

Texto: Kehrle Junior