Oferta de emprego deve melhorar este ano

Professor Luciano Nakabashi (FEA/RP) diz que, apesar de o País estar crescendo pouco, o mercado de trabalho está mais estável


A economia brasileira ainda está fraca, “mas temos expectativa melhor para 2020”. A afirmação é do professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP, Luciano Nakabashi, após análise do saldo positivo de geração de empregos formais em 2019, recém-divulgado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.

Os números do Caged mostram que, no ano passado, foram criadas 644,79 mil novas vagas com carteira assinada, o melhor desempenho desde 2013. “Como a geração de empregos está atrelada ao crescimento econômico, estamos esperando a criação acima de 1 milhão de vagas formais para 2020″, aposta Nakabashi.

Para o economista, o mercado de trabalho já está mais estável. O problema é que o País vem crescendo pouco. Foi 1% em 2019, 2018 e 2017. “Teve aquela grande retração em 2015 e 2016 e, em 2014, não cresceu nada. Então, não espanta que essas 600 mil vagas tenham sido o melhor resultado desde 2013.”

Apesar da recuperação lenta dos últimos três anos, a expectativa com o novo cenário de “juros baixos e aprovação de reformas importantes, como a da Previdência”, é de uma melhor retomada do crescimento econômico, na avaliação de Nakabashi. O processo de privatização também deve injetar capital privado e suprir a falta de verba pública para novos investimentos, dando “uma folga nas contas do governo”.

Governo com contas equilibradas, segundo o especialista, “dá mais estabilidade macroeconômica para o País e traz dinheiro que estamos precisando, não só pela transferência direta, mas pela capacidade maior de empresas estrangeiras em realizar novos investimentos”. Assim, Nakabashi acredita que 2020 apresenta um “cenário muito mais propício ao investimento produtivo, que vai fazer diferença no crescimento do País”. O aumento do investimento em produção terá ação direta para a geração de vagas formais de emprego de melhor qualidade, com maiores salários.

Jornal da USP
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