Decisão da Justiça de SP gera críticas ao negar indenização a fotógrafo cego em protesto

 

Imagem: Ravena Rosa/Agência Brasil

A Justiça de São Paulo negou, nesta terça-feira (26), o pedido de indenização feito por um fotógrafo que ficou cego em um olho durante um protesto em 2013. O homem alegava que a Polícia Militar havia usado balas de borracha de forma excessiva e sem critério, causando a lesão em seu olho esquerdo.

O fotógrafo, que na época trabalhava para um jornal de grande circulação, afirmou que estava cobrindo o protesto pacificamente quando foi atingido pela bala de borracha disparada pelos policiais. Segundo ele, o tiro foi desferido sem nenhum aviso ou justificativa.

No entanto, o juiz responsável pelo caso entendeu que a ação da Polícia Militar foi legítima, pois o fotógrafo estava próximo de um grupo de manifestantes que estava atirando pedras e objetos contra os policiais. Além disso, segundo o juiz, o fotógrafo não apresentou provas suficientes de que a bala de borracha foi disparada de forma aleatória ou sem justificativa.

A decisão da Justiça foi criticada por entidades de defesa dos direitos humanos e de liberdade de imprensa. Para elas, a sentença abre um precedente perigoso ao legitimar o uso excessivo da força policial em manifestações pacíficas e restringir a liberdade de atuação dos profissionais da imprensa.

O fotógrafo afirmou que vai recorrer da decisão e que continuará lutando por seus direitos e pela garantia do direito à liberdade de imprensa e de manifestação pacífica.