Mais da metade das crianças do segundo ano da rede pública enfrentam desafios na educação
quinta-feira, fevereiro 01, 2024Recentes dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2021, divulgados pelo Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância (Unicef), revelam que 56% das crianças do segundo ano do Ensino Fundamental na rede pública brasileira não aprenderam a ler e escrever na faixa etária esperada. Esta preocupante estatística aponta para um cenário desafiador, agravado pela pandemia de COVID-19.
Antes da crise sanitária, o país já registrava uma taxa de quase 40% de crianças não alfabetizadas nessa fase. A situação se agravou durante a emergência mundial de saúde, resultando em milhares de meninos e meninas na escola sem adquirir as habilidades fundamentais de leitura e escrita.
A oficial de Educação do Unicef, Júlia Ribeiro, destaca que a pandemia teve um impacto significativo nesses resultados, devido à redução dos dias letivos, dificuldades de acesso a materiais educacionais e à falta de orientação próxima por parte dos profissionais. Ribeiro enfatiza que a alfabetização é crucial na trajetória escolar e que a falta desse momento pode afetar não apenas o desempenho acadêmico, mas toda a vida do aluno.
Frente a esse desafio, Júlia avalia positivamente o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, lançado em 2023 pelo Ministério da Educação. O programa, em colaboração com estados e municípios, busca garantir a alfabetização de 100% das crianças brasileiras até o final do segundo ano do Ensino Fundamental. Além disso, propõe medidas para recuperar as aprendizagens das crianças do 3º, 4º e 5º ano impactadas pela pandemia.
No entanto, Júlia Ribeiro destaca a necessidade de acompanhamento e monitoramento constante da iniciativa para assegurar sua implementação eficaz e alcançar os resultados desejados. Em resposta, o Ministério da Educação informou que 100% dos estados aderiram ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, e quase todos os municípios do país também participam. Além disso, mais de R$ 620 milhões foram investidos no programa no ano passado, incluindo projetos como a designação de articuladores e a instalação de Cantinhos de Leitura nas escolas. A iniciativa também formalizou parcerias com cinco universidades para oferecer formação continuada em leitura e escrita na Educação Infantil.
