Adotadas: Filhas de potiguar pedem ajuda para encontrar mãe biológica

Uma história que poderia ter sido contada por Stephen King, o rei do mistério, tem como trama central a busca de uma fisioterapeuta pela mãe biológica. O desejo de encontrar a mulher que a trouxe ao mundo surgiu há pelo menos 20 anos e, para que isso possa ocorrer, Maria Juliana conta com a ajuda de um detetive, uma advogada, uma perita em documentos e pessoas amigas.



Irmãs gêmeas, Juliana e Maria Amélia nasceram na véspera do Natal de 1980, no Hospital e Maternidade Santa Joana, no Paraíso, e dois dias depois foram entregues à adoção. Elas sabem que a mãe se chama Olga, é natural do Rio Grande do Norte e na época do parto teria entre 25 e 30 anos. Olga teria deixado um filho com a mãe, quando se mudou para São Paulo para tentar uma vida melhor. Residia no Ipiranga e trabalhava na única agência bancária existente no bairro no final da década de 1970.

“Com a gravidez indesejada, ela decidiu entregar as filhas para uma família”, dia Juliana. “Uma enfermeira do Hospital das Clínicas perguntou aos funcionários se sabiam de alguém interessado em adotar e uma costureira chamada Cida, que prestava serviços na rouparia do hospital, disse que conhecia uma família”, ela acrescenta. Foi feito contato com uma mulher identificada como “dona Amélia”, muito conhecida na região por intermediar doações. A dona Amélia tinha uma filha deficiente e também havia adotado uma menina.

Dona Amélia apresentou Olga a um comerciante e à mulher. A potiguar pediu uma quantia em dinheiro, justificando o benefício do auxílio maternidade, e disse que voltaria para o Rio Grande do Norte, para a mãe auxiliá-la na cesária. O negócio foi fechado rapidamente e a entrega dos bebês foi feita em uma esquina próxima ao hospital.

As recém-nascidas foram levadas para a cidade de São Roque, no interior do Estado, onde o casal morava. Não mais ouviram falar da mãe biológica, até que, quando tinham três anos, a mãe adotiva revelou que eram apenas “filhas do coração”. Ela alegou que Olga havia morrido, fake news que as magoa até hoje.

Foi apés uma briga com a mãe adotiva de Juliana e Amélia que uma tia resolveu contar-lhes a verdade. “Tínhamos 13 anos, chorei e sofri muito, e desde então comecei a procurá-la”, lembra Juliana. “Eu nunca vou desistir, é como se faltasse uma peça no quebra-cabeça”, ela compara.

“Oro todos os dias por ela e meu primeiro pensamento é: será que ela está bem, será que está viva? No almoço, penso: será que ela tem o que comer? Muitas vezes, vem o nó na garganta e não consigo terminar a refeição. E à noite oro pra ela nunca nos esquecer e, apesar de tudo, ser feliz”, deseja.

Juliana começou a namorar aos 14 anos com um homem de 25 e enfrentou momentos parecidos com os da mãe. Engravidou aos 17, o pai adotivo não aceitou e exigiu que deixasse a casa. Ela foi morar com o namorado, com poucos recursos financeiros, e conheceu uma realidade diferente da que viveu até ali. Mas era consciente de que só o estudo e muito trabalho iriam mudar aquela situação. Foi o que fez.

Outro momento traumático de Juliana foi a morte do companheiro, aos 32 anos, durante uma tentativa de roubo ao carro da família. Com ajuda da mãe adotiva, ela se dedicou aos estudos, fazendo o curso técnico de enfermagem, faculdade de fisioterapia, pós-graduação e MBA. Casou-se, teve mais uma filha, mas a falta da mãe biológica é sentida a todo instante. “Tenho uma família abençoada, esposo e duas filhas, casa e carro, mas não consigo ser feliz completamente”, observa Juliana, que é supervisora administrativa em uma empresa na Grande São Paulo.

Quem tiver informações sobre o paradeiro de Olga pode ligar para Juliana: 11-99683-1564.
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